O que são CEM - Campos electromagnéticos
A opinião pública tem vindo a desenvolver receios no que diz respeito a um alegado impacto prejudicial dos campos electromagnéticos das telecomunicações móveis sobre a saúde pública.
A Optimus tem acompanhado esta matéria participando em fóruns de discussão nacionais e internacionais e trabalhando juntamente com os organismos públicos, com vista a clarificar esta situação e contribuir para a informação do público. A Optimus está na posse da informação científica mais actualizada e credível sobre esta matéria, a qual afirma não existir evidência científica de um nexo de causalidade entre radiações electromagnéticas emitidas por telemóveis ou estações base e patologias sobre os seres humanos.
A radiação electromagnética não é mais do que energia emitida por uma determinada fonte, a uma determinada frequência. Campos eléctricos e magnéticos são parte do espectro da radiação electromagnética.
Quando se estuda os efeitos biológicos de radiações electromagnéticas, é importante distinguir dois tipos de radiações, ionizantes e não-ionizantes, cujos mecanismos de interacção com os tecidos vivos são muito diferentes. A ionização é um processo pelo qual os electrões são libertados dos átomos e das moléculas. Este processo pode gerar alterações moleculares capazes de lesionar os tecidos biológicos, incluindo efeitos no material genético (ADN). Para tal é necessário a interacção com fotões de alta energia, como os dos raios X e gama. Estes raios são então radiações ionizantes, e a absorção de um fotão destas radiações pode originar a ionização e o consequente dano biológico.
As radiações não ionizantes são a parte do espectro electromagnético, cuja energia não é capaz de quebrar as uniões atómicas, mesmo a altas intensidades. Estas radiações podem libertar energia suficiente para produzir efeitos térmicos (de aquecimento) ao incidir em organismos vivos, tais como os libertados pelas microondas. As radiações não ionizantes intensas de baixa frequência também podem libertar correntes eléctricas, que podem afectar o funcionamento de células sensíveis a tais correntes (células musculares ou as nervosas).
Os CEM de alta intensidade podem provocar efeitos prejudiciais para a saúde. A natureza destes efeitos depende, contudo, da intensidade e da frequência do sinal electromagnético. Em condições de exposição a CEM que respeitem os níveis recomendados, não se comprova qualquer risco para a saúde.
fontes comuns de exposição da população
No nosso dia-a-dia estamos rodeados de várias fontes de campos electromagnéticos, como as microondas, as televisões, os rádios e mesmo o próprio sol. Sempre que há passagem de corrente eléctrica num fio condutor, há geração de um campo magnético no ambiente circundante. Esse campo magnético é medido pela sua Densidade de Fluxo Magnético.
A tabela mostra este valor para campos magnéticos gerados por vários electrodomésticos. A Densidade de Fluxo Magnético máxima recomendada pela UE para as estações base de telecomunicações móveis é de 0,138 µT. Como se pode comprovar pela tabela, este valor é inferior ao do campo magnético gerado por vários electrodomésticos, mesmo a 0,5 metros de distância.
Os telemóveis são aparelhos que funcionam com microondas de baixa intensidade e que transmitem e recebem sinais de uma rede de estações fixas, de baixa potência. A potência típica à saída de um transmissor da banda GSM é na ordem dos 20 Watt. Este valor é "concentrado" em algumas direcções do espaço através da utilização de antenas de alto ganho, tipicamente 17 ou 18 dBi, por forma a atingir-se algumas centenas de Watts na direcção do lobo principal da antena, potência que ainda assim está ao nível de algumas lâmpadas ou holofotes que podemos ter em nossas casas. A maior parte dos actuais sistemas de telemóveis utiliza frequências entre os 800 MHz e os 2 GHz, sendo possível que, no futuro, venham a ser utilizadas frequências mais elevadas.
A razão pela qual são necessárias muitas células para "iluminar" uma área, tem a ver, entre outras razões, com o facto do sinal emitido se caracterizar por uma potência relativamente baixa e de se atenuar muito rapidamente, mais especificamente com o inverso do quadrado da distância à fonte emissora. Todas as estações base são projectadas por forma a que, nos locais onde as pessoas podem aceder, os níveis de sinal observados estejam abaixo dos limites de referência estipulados pelos organismos reguladores nacionais e internacionais. Por essa razão, o facto de um edifício se situar próximo de uma estação base não constitui um perigo, já que o local foi devidamente estudado, de maneira a garantir as necessárias distâncias de segurança em relação aos locais de passagem e acesso de pessoas.
fonte: Department of Health, Ireland Government, UK, 2000
Desde que o mundo existe, que todos os seres à face da terra estão sujeitos às radiações não ionizantes provenientes da luz solar, das tempestades eléctricas, dos fenómenos atmosféricos, etc., que são fenómenos naturais. Essencialmente, a partir do advento das radiocomunicações no século XIX com MARCONI, e especialmente após a 2ª Guerra Mundial, os sistemas de radiocomunicação proliferaram. À nossa volta existem os radares civis e militares, que são uma presença constante nas maiores cidades (ex: Lisboa), as rádios locais (frequentemente com emissores de milhares de Watts de potência), os rádio amadores, os sistemas de comunicação privadas (ex: trunking e radiomóvel), e muitos mais. Não é um fenómeno que ocorra apenas há 10 ou 15 anos!
Mesmo nos dias de hoje, as antenas telefónicas contribuem muito pouco para a exposição total a que estamos sujeitos, porque a intensidade das emissões a nível do solo é da mesma ordem de grandeza das estações de rádio e TV e, frequentemente, mesmo muito inferior.