Pontos importantes
Em relação às principais realizações do ano, gostaria de realçar os seguintes pontos:
- Crescimento significativo das receitas consolidadas, com um aumento do volume de negócios de 9,4%, para os 976 milhões de euros, e um crescimento das receitas de clientes de 9,8%, atingindo os 674,2 milhões de euros.
- EBITDA de 160,4 milhões de euros, um valor semelhante ao atingido em 2007, apesar do ambiente altamente competitivo, das reduções nas tarifas de roaming in e do forte investimento em marketing e vendas.
- Resultado líquido positivo (atribuível ao Grupo) no valor de 5 milhões de euros.
- Forte investimento na rede de acesso móvel e no serviço ao cliente, com o CAPEX operacional a atingir os 192,1 milhões de euros, um aumento de 18 % em relação a 2007, consistente com o nosso plano de investimento.
- Sólido crescimento no sector móvel, com 298 mil novos subscritores, elevando o número total de clientes de serviços móveis para 3,2 milhões (+10,3 %).
- Reacção positiva dos clientes à progressiva instalação da nossa rede FTTH, que suporta o lançamento da primeira oferta comercial de fibra óptica em Portugal.
- Forte desempenho da área de Software e Sistemas de Informação (SSI), com um nível recorde de receitas de 120 milhões de euros, um aumento de 51 % em relação a 2007, e com uma margem de EBITDA de 6 %.
- Estrutura de capital reforçada, no seguimento da conclusão de uma operação de securitização no valor de 100 milhões de euros.
O contexto
Desafios macroeconómicos e competitivos
É fundamental situar os resultados do último ano no respectivo contexto global. Ao longo de 2008, as condições macroeconómicas continuaram a deteriorar-se fortemente, em todo o mundo. Mercados de crédito em contracção e valorizações imobiliárias em queda provocaram falhas no sistema financeiro global e perdas significativas nos mercados de acções.
Inevitavelmente, estes factores desgastaram a confiança empresarial e dos consumidores tanto em Portugal como nas restantes economias. Além disto, o sector das telecomunicações viveu, entre nós, um dos anos mais competitivos de sempre. A redução de preços foi particularmente feroz no sector de rede fixa, onde os nossos concorrentes procuraram alcançar crescimento a curto prazo à custa do valor e rentabilidade sustentável a longo prazo.
Os nossos resultados
Apesar deste ambiente macroeconómico e competitivo tão desafiador, conseguimos alcançar os objectivos estratégicos a que nos havíamos proposto no início do ano. Direccionada para o aumento da competitividade e para a obtenção de um crescimento sustentável, a nossa estratégia implicou uma aceleração dos investimentos em todas as áreas de negócio, começando por um ambicioso programa de investimento nas nossas marcas e alargando-se ao reforço da cobertura e capacidade das redes e canais de distribuição, à instalação bem sucedida da rede de fibra óptica e, acima de tudo, ao investimento intensivo no serviço ao cliente. De igual modo, a SSI conseguiu significativos progressos, sobretudo com a integração bem sucedida das aquisições realizadas pela WeDo durante 2007, ao mesmo tempo que registava um crescimento recorde nas receitas.
Negócio Telco
Rede Móvel
O desempenho do negócio móvel constitui uma clara evidência de que os nossos esforços e investimentos se estão a traduzir num positivo crescimento do número de clientes. Apesar das condições desafiadoras do mercado, aumentámos em 10,3% o número dos nossos clientes, tendo conseguido 298 mil adições líquidas, e aumentámos as receitas de clientes em 3,8%. Este crescimento foi generalizado, mas mostrou particular incidência nos segmentos residencial e de banda larga móvel.
Rede fixa
O negócio ULL de rede fixa enfrentou uma concorrência sem precedentes durante 2008, com pressões ao nível dos preços praticados em todo o sector, prejudicando o valor e o crescimento sustentável a longo prazo. Reagimos a estes acontecimentos concentrando-nos em minimizar o churn, proteger as margens e dar aos clientes o melhor serviço e valor possíveis. Ainda que num contexto de mercado desfavorável e volátil, o negócio de rede fixa conseguiu gerar uma margem de 4,8% e um EBITDA positivo de 14 milhões de euros, um aumento de 43,8% em relação a 2007.
A instalação da rede de fibra (FTTH) foi um dos mais importantes desenvolvimentos do ano. Este facto permitiu-nos lançar a primeira oferta comercial de fibra óptica em Portugal, e a subsequente reacção positiva dos clientes indica que este activo irá desempenhar um importante papel impulsionador no futuro crescimento da banda larga.
Software & Sistemas de Informação
No seguimento da integração bem sucedida das aquisições da WeDo efectuadas durante 2007, o desempenho da SSI constituiu outro importante sucesso. Para além da WeDo Technologies, o portfolio da SSI inclui a Mainroad, a Bizdirect e a Saphety. Impulsionada pelo aumento das receitas de serviços e das vendas de equipamento, o volume de negócios consolidado da SSI cresceu 51%, enquanto o seu EBITDA aumentou 55% em relação a 2007.
Media
Apesar da descida dos números de circulação em todo o sector da imprensa escrita, o desempenho do Público, no que respeita a indicadores de audiência, evidenciou um aumento no número total de leitores, tendo-se posicionado em terceiro lugar entre os jornais generalistas diários pagos e evidenciando maior resiliência, quando comparado com os seus principais concorrentes, no número total de leitores. Embora as receitas de publicidade tenham diminuído 5,7%, as receitas de vendas do jornal aumentaram 1,8% e as perdas de EBITDA foram reduzidas em 1,5%, em relação a 2007.
Colocar os clientes em primeiro lugar
Colocar os clientes no centro do negócio permanece um dos nossos principais objectivos estratégicos. Durante 2008, realizámos um progresso significativo na concretização deste objectivo através de uma série de importantes iniciativas.
Tais iniciativas incluíram a reorganização dos call centres, de forma a criar uma ligação mais estreita entre os serviços que oferecemos e os clientes que os adquirem; a integração das equipas comerciais e de marketing dos negócios de rede fixa e móvel, recentemente fundidos; a adopção da marca Optimus em todo o negócio empresarial e a melhoria da cobertura, capacidade e qualidade de som das redes GSM e 3G.
Procurando superar as expectativas dos nossos clientes, lançámos também duas inovações notáveis: a concept store da Optimus na Casa da Música, no Porto, que oferece aos clientes uma interacção directa com todo o leque de produtos e serviços; e o TAG, um novo serviço móvel aliciante, baseado em plataformas de comunicações ilimitadas, desenhado especificamente para o mercado-alvo jovem.
A qualidade e o profissionalismo do nosso serviço ao cliente permitiram-nos conquistar vários prémios de prestígio, incluindo o de Melhor Contact Center Nacional atribuído pela Associação Portuguesa de Contact Centers e um prémio de Qualidade de Serviço da IFE Portugal, em colaboração com a revista Call Center.
Responsabilidade corporativa
Os princípios da responsabilidade corporativa e do desenvolvimento sustentável estão incrustados no ADN corporativo da Sonaecom. Em consonância com a nossa filosofia, centrada nas pessoas, estamos empenhados em servir as comunidades em que nos inserimos e o ambiente que partilhamos.
Através do valioso contributo dos stakeholders da nossa comunidade, relançámos o programa “Smile”, como forma de transferir eficazmente competências, que consideramos vitais, do sector empresarial para o voluntariado e para as comunidades.
Estamos igualmente empenhados em ajudar os nossos colaboradores a atingir seu potencial pessoal e profissional. Com este objectivo, continuámos a investir fortemente na formação.
Entretanto, continuamos a trabalhar para minimizar o impacto das nossas actividades no ambiente, lançando um estudo para quantificar a pegada de carbono. Para além das realizações próprias, estivemos ainda entre as empresas que patrocinaram um follow-up regional ao relatório internacional SMART 2020 do Climate Group sobre a criação de uma economia global de baixo carbono.
Olhando para o futuro
- A nossa estrutura de capital, reforçada pela operação de securitização de 100 milhões de euros no final de 2008, proporcionou-nos a capacidade financeira para continuarmos a implementar a estratégia definida, apesar das restrições nos mercados financeiros. Poderemos, no entanto, ter de ajustar o ritmo de implementação da estratégia de investimento à medida que avaliamos continuamente os impactos que a crise financeira e económica irão produzir nos negócios da Sonaecom.
- Assente em bases sólidas, estabelecidas em 2008, o negócio móvel continuará a procurar o crescimento através de produtos / serviços inovadores associados à preocupação constante com as necessidades dos nossos clientes.
- Procuraremos identificar e desbloquear vantagens competitivas resultantes da integração dos negócios de rede fixa e móvel, através da procura de novos produtos e serviços convergentes para os mercados residencial e empresarial.
- Procuraremos gerir o churn e proteger as margens do negócio ULL residencial e analisaremos quaisquer desenvolvimentos regulatórios e comerciais que possam afectar a oferta ULL residencial, para avaliar oportunidades futuras.
- Aproveitaremos o sólido desempenho da SSI durante o ano de 2008, procurando maior crescimento nacional e internacional.
- É provável que o Público enfrente outro ano cheio de desafios. Para contrariar a quebra prevista no investimento global em publicidade e na circulação, estaremos atentos a oportunidades de expansão da marca, de alargamento dos conteúdos online, do aumento da circulação e da racionalização custos.
Nota Final
Uma última observação para referir que, perante a presença de desafios significativos durante o ano de 2008, a organização demonstrou, mais uma vez, resistência, flexibilidade e energia notáveis, pelo que muito deve ser creditado à competência, determinação, empenho e espírito combativo dos nossos colaboradores. Estou confiante de que nos encontramos bem posicionados para enfrentar os desafios do futuro.
Ângelo Paupério, CEO Sonaecom
Março de 2009